A história da Fampop: a feira de música de Avaré que revelou Lenine e Chico César
A Fampop — Feira Avareense da Música Popular — é um concurso de composições inéditas que acontece em Avaré, no interior de São Paulo, desde 1983. Nasceu como uma feira de rua com música e números circenses no Largo São João e, quatro décadas depois, chega à 43ª edição, em outubro de 2026. Pelo caminho, revelou nomes que hoje qualquer brasileiro reconhece — o motivo pelo qual uma feira de cidade pequena ainda é citada quando o assunto é música popular brasileira.

Em resumo
A primeira Fampop aconteceu de 8 a 10 de julho de 1983, no Centro Avareense e no Largo São João, em Avaré (SP), com júri presidido por Zuza Homem de Mello.
Genésio Tocantins venceu a 1ª Fampop (1983) com a canção “Peleja”.
Lenine venceu a VII Fampop, em 1989, com “Samba do Quilombo”.
Chico César classificou “Béradêro” entre os três primeiros da IX Fampop (1991) e “Dança” em 2º lugar na X Fampop (1992); voltou como patrono da 42ª, em 2025.
A XIX Fampop (2001) bateu o recorde de 1.364 canções inscritas.
A Fampop de 2020 foi cancelada pela pandemia; a 38ª aconteceu em 2021, em formato virtual.
A 43ª Fampop acontece de 15 a 18 de outubro de 2026 em Avaré, com eliminatórias nos dias 15 e 17 e final no dia 18; o patrono é Almir Sater.
A Fampop é promovida pela Prefeitura da Estância Turística de Avaré, pela Secretaria Municipal de Cultura, com apoio da APAA.
Revisado em 30 de setembro de 2026.
A origem: uma feira no Largo São João (1983–1984)
A primeira Fampop aconteceu entre 8 e 10 de julho de 1983, no Centro Avareense e no Largo São João, com júri presidido pelo musicólogo Zuza Homem de Mello. A ideia nasceu de Juca Novaes, filho do então prefeito Paulo Dias Novaes, com um grupo de amigos — Paulo Guazzeli, José Eduardo Pinto, José Mário Nevado Guerra, Fábio Correa Martins e Ciro Cruz. Era feira de verdade, com número circense dividindo o Largo com a música, e quem esteve lá conta que não cabia um alfinete a mais. Dez anos antes, em 1973, a cidade já tinha feito o Frempa — o último evento do gênero antes da Fampop.

O primeiro vencedor foi Genésio Sampaio, conhecido como Genésio Tocantins, com a canção “Peleja”. Em 1984, o prêmio principal ficou com Celso Viáfora — e Genésio voltou com “Sede dos Afetos”, levando Aclamação Popular e Melhor Intérprete.
A década que revelou nomes: Lenine, Chico César e os discos da Fampop (1989–1992)
Lenine venceu a VII Fampop, em 1989, com “Samba do Quilombo”. No ano seguinte voltou com “Virou Areia”, parceria com Bráulio Tavares, ficou em terceiro e entrou no disco que a Fampop produziu com o repertório daquela edição.


Em 1991, “Béradêro”, de Chico César, ficou entre os três primeiros da IX Fampop — a imprensa de Avaré registra segundo lugar, o Dicionário Cronológico da MPB registra terceiro. O primeiro lugar daquele ano foi “Três por acaso”, de Gereba e Capinam. No ano seguinte, Chico voltou com “Dança” e ficou em segundo. Mais de três décadas depois, ele subiria ao palco de novo em Avaré — como patrono da 42ª edição, em 2025.
A Fampop também virava disco: existe um LP chamado “IX Fampop – Avaré 1991”, com o repertório daquela edição, lançado no ano seguinte. Juca Novaes conta, em entrevista à revista Ritmo Melodia, ter produzido catorze discos saídos do festival — e atribui a Zuza Homem de Mello, o presidente do primeiro júri, a frase de que a Fampop é “o mais importante festival regional do Brasil”.
Recorde de inscrições e o "bolo" de Lulu Santos (1994–2004)
Em 1994, Lulu Santos cancelou na véspera e quem subiu ao palco foi Tim Maia. A história se repetiu dez anos depois: em 2004, Lulu cancelou de novo — dessa vez para cumprir uma promessa feita à esposa — e o Jota Quest assumiu o show.




Em 2001 a Fampop bateu seu recorde: 1.364 canções inscritas e 24 finalistas, com duas noites de eliminatórias antes da final. A mesma edição homenageou Dorival Caymmi, com show de Dori e Danilo Caymmi, e fechou com Ed Motta.
A pandemia e a volta: de 2019 a 2025
Em 2019, a 37ª edição recebeu 165 inscrições — 30 de Avaré, 15 instrumentais e 120 do resto do país — e aconteceu na Concha Acústica, entre 12 e 15 de setembro, com os Demônios da Garoa como patronos.





Em 2020 a pandemia cancelou a edição, junto com o Arraiá do Nhô Musa — o ano em que a Fampop não aconteceu.
Ela voltou em 2021 pelo YouTube, com as apresentações gravadas em Avaré. Venceu “Mar de Purpurina”, de Carlos Gomes, na voz de Jéssica Stephens — e o patrono da edição virtual foi Juca Novaes, o fundador, quase quarenta anos depois de inventar o festival.
O presencial voltou em 2022, na 39ª edição: venceu “Muiraquitã”, de Gui Silveiras e Valéria Pisauro, de Tatuí, com Paula Fernandes como patrona. Em 2023, a patrona foi Ana Carolina. Em 2024 o evento mudou de forma — virou uma Mostra com 30 artistas, todos premiados com o troféu Clóvis Guerra, com Vanessa Reis como patrona. E em 2025 venceu “Corrente das Marés”, de Thiago Barbosa Augusto e Gregory Haertel, na voz de Bruna Moraes e Thiago K, na Concha Acústica, com entrada franca e Chico César como patrono.
A 43ª edição, em 2026: o que já se sabe — e o que ainda não
A 43ª Fampop acontece de 15 a 18 de outubro de 2026, com eliminatórias nos dias 15 e 17 e a final no dia 18. A sede provável é o clube da Associação Atlética Avareense. O patrono é Almir Sater, que já passou por uma edição anterior; Paulo Miklos, ex-Titãs, faz um show à parte na mesma programação — ele não é o patrono desta edição.


São duas categorias de composições inéditas, com letra e instrumental: uma comissão escolhe 20 finalistas de todo o país, e a Fampopinha reserva seis vagas para compositores de Avaré. A inscrição é grátis, e quem promove é a Prefeitura da Estância Turística de Avaré, pela Secretaria de Cultura, com apoio da APAA. A premiação passa de R$ 58 mil: R$ 18.000 para o primeiro lugar, que ainda ganha três dias de gravação no estúdio Gargolândia, em Alambari; R$ 13.000 para o segundo; R$ 9.000 para o terceiro; R$ 5.000 para o quarto; e prêmios para melhor instrumental, melhor intérprete, melhor letra, melhor canção avareense e aclamação popular.
O que ainda não se sabe, até 18 de setembro de 2026: a grade dia a dia — quem se apresenta em qual noite — não foi publicada, então não é possível dizer se Almir Sater ou Paulo Miklos sobem ao palco na eliminatória ou na final.
| Edição | Ano | Venceu | Patrono/homenagem | Onde |
|---|---|---|---|---|
| 1ª | 1983 | Genésio Tocantins, "Peleja" | — | Centro Avareense / Largo São João |
| — | 1984 | Celso Viáfora (Genésio Tocantins: Aclamação Popular + Melhor Intérprete) | — | — |
| VII | 1989 | Lenine, "Samba do Quilombo" | — | — |
| VIII | 1990 | — (Lenine, 3º lugar, "Virou Areia") | — | — |
| IX | 1991 | Gereba e Capinam, "Três por acaso" (Chico César, "Béradêro", entre os três primeiros) | — | — |
| X | 1992 | — (Chico César, 2º lugar, "Dança") | — | — |
| XIX | 2001 | — | homenagem a Dorival Caymmi (show de Dori e Danilo Caymmi); encerramento com Ed Motta | — |
| 22ª | 2004 | — | — | — |
| 37ª | 2019 | — | Demônios da Garoa | Concha Acústica |
| — | 2020 | CANCELADA (pandemia) | — | — |
| 38ª | 2021 | "Mar de Purpurina", Carlos Gomes (intérprete: Jéssica Stephens) | Juca Novaes (fundador) | virtual (YouTube) + apresentações em Avaré |
| 39ª | 2022 | "Muiraquitã", Gui Silveiras e Valéria Pisauro | Paula Fernandes | Espaço Palazzo Garibaldi |
| 40ª | 2023 | — | Ana Carolina | Palazzo Garibaldi |
| 41ª | 2024 | (Mostra — 30 artistas, todos com troféu Clóvis Guerra) | Vanessa Reis | Projeto Cordão |
| 42ª | 2025 | "Corrente das Marés", Thiago Barbosa Augusto e Gregory Haertel (intérpretes: Bruna Moraes e Thiago K) | Chico César | Concha Acústica |
| 43ª | 2026 | (em andamento) | Almir Sater (show de Paulo Miklos, sem ser patrono) | Associação Atlética Avareense (provável) |
1994 fica fora da tabela porque ninguém anotou o número daquela edição — mas o que aconteceu lá está algumas linhas acima: o bolo do Lulu Santos e o show do Tim Maia.
Perguntas frequentes
Quando começou a Fampop?
Quem já venceu a Fampop?
Por que a edição de 2026 é a 43ª?
Quando é a Fampop 2026?
A programação da 43ª Fampop está no perfil da Fampop no TocaOnde.
Antes de fechar
Veja quem está tocando de verdade.
A agenda é pública, e cada show aponta a banda e a casa. Dá pra ouvir e ver o estilo antes de puxar conversa.
